Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.
Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.
Alguns pensam
que são as mãos de deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.
Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.
in Até Amanhã
de Eugénio de Andrade
11.5.09
8.5.09
4.5.09
Irmãos Ginja | Estremoz
Os irmãos Ginja, Afonso e Arlindo, trabalham o barro numa oficina do Museu Municipal de Estremoz. O processo começa por escavar o barro vermelho, amassa-lo com os pés e deixá-lo a enxugar para o Inverno. As tintas, também de fabrico artesanal, são misturadas com resina de pinheiro.
As Primaveras, os tradicionais Presépios e os O Amor é Cego, herdeiros dos do século XVII, estão eternizados no museu da cidade e continuados pelas mãos destes artesãos.
29.4.09
28.4.09
Aliança Artesanal | Lenços dos Namorados
Lenços de raiz popular. Simbologia campestre, erros ortográficos, muita cor, mensagens simples, movimentos figurativos de uma pureza ingénua, triangulação instintiva do desenho.
Bai carta feliz buando
No bico dum passarinho
Cando bires o meu amor
Dale um abraço e um veijinho
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