[ Coração Habitado ]

Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam
que são as mãos de deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.

in Até Amanhã
de Eugénio de Andrade


27.2.09

João Marques















"Continuidade 3 - Ao Encontro das Origens"

Pedra quartz e bronze.

"O meu trabalho define-se na tentativa de aproximar o Homem da Natureza, interpretando simbologias das Civilizações Antigas da América do Sul e da Europa, utilizando formas e texturas orgânicas modeladas sobre rochas que sofreram de erosão da água e do tempo..."

Alice Tavares
















"Sementes III"

Feltro manual, desenho e colagem.

25.2.09

Liliana Guerreiro
















Cheio de Ramo

O Alfinete corresponde a uma utilização irónica de uma das técnicas de filigrana, o “cheio de ramo”.
O “cheio”, de fundo passa a ser figura.
A tradicional complexidade do objecto, é invertida, reduzindo-se à repetição mínima de reconhecimento da técnica, “minimalizando-o”.
O nome da técnica é utilizado também como referência figurativa.

Frágil
















Peça concebida e executada por Susana Teixeira e Áurea Praga.
Prata e plástico (sete bolhinhas intactas e prontas a ser rebentadas em alturas de stress), fio em couro.

Áurea Praga









"Sempre tive difilcudade em desfazer-me de revistas e catálogos, mesmo tendo um ecoponto perto de casa. Acabam por acumular-se numa estante a rebentar pelas costuras, à espera duma segunda oportunidade.

Esta nova série de pregadeiras trá-los novamente à superfície, sendo que cada uma utiliza um pormenor da capa de revistas ou catálogos, emoldurado por mais um objecto reaproveitado, o fundo de uma lata."

Áurea Praga

19.2.09

António José do Vale | Vinhais














Os caretos, ou mascarados, usam trajes de cores garridas que são feitos de colchas antigas vermelhas e amarelas, as quais eram tecidas nos teares, antigamente, pelo que hoje já é difícil arranjá-las. Nelas há franjas e capucho, sendo envolvidas por correntes, chocalhos e campainhas, presos em torno da cintura por um cinto de couro. Calçam socos de madeira ou botas com polainas até aos joelhos e trazem um cajoto, um pau que termina em forma de animal, habitualmente, a cabeça de uma serpente, podendo ser mais alto do que o mascarado e terminar em arco, na mão. Trazem ainda uma máscara de madeira de castanho nas quais são talhadas figuras de animais ou de homens, ainda que sempre marcadas pelo grotesco. Assim podem ver-se olhos vazados, pestanas e sobrancelhas gravadas a fogo, a língua pendente, orelhas disformes, chifres, animais incorporados na testa ou nas orelhas, entre outros.