[ Coração Habitado ]

Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam
que são as mãos de deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.

in Até Amanhã
de Eugénio de Andrade


5.2.09

UPA!
















O projecto UPA nasceu em finais de 2006, concebido por Gabriela Gomes.
Surge como reflexo de alguns trabalhos realizados nas artes plásticas, onde o conceito de Escultura se expandia ao Design, numa perspectiva irónica e do não-usavél.

UPA é um projecto de design que conjuga conceitos plásticos com os limites da funcionalidade.
Cria objectos de uso pessoal como um meio expressivo, em que cada objecto é também um meio de comunicação, de diferenciação e de expressão individual.

História de panos













... são vários os materiais aplicados, desde feltro, lãs, veludos e fitas diversas. As alças correspondem a tranças e são facilmente reguláveis na parte de dentro, bastando dar mais um nó.

Simão feito à mão
















Reaproveitando objectos que não desempenham mais a função para a qual foram criados, como caixotes de madeira, latas ou guarda-chuvas partidos em dias de temporal, o artista transforma materiais secundários através de um processo manual de valorização baseado na tradição luso-brasileira dos brinquedos artesanais, outrora tão populares. Formas e mecanismos são revisitados e apresentados com novas roupagens.

Apesar de as peças aqui expostas não poderem actualmente ser consideradas brinquedos, por não cumprirem as normas de segurança vigentes para o manuseamento por crianças, visto poderem apresentar arestas cortantes ou conter elementos de pequena dimensão que podem ser engolidas, a necessidade de interacção com as obras para accionar os seus mecanismos convida-nos a... brincar.

Simão Bolívar, Porto - 6 de Julho de 2007

19 de Abril















"Nestes pequenos livros, quinze imagens a preto e branco e um texto, narram vivências do quotidiano"

Madalena A. Mendes,
"Design e imagens, 2001"

Serrote















Este é o décimo sétimo caderno das publicações serrote.

O primeiro caderno serrote volta a ser reeditado, agora em amarelo e preto, tal como as páginas amarelas, as vespas, os papa-figos ou as máquinas das obras (tiragem de 1500 exemplares).

22.11.08

Douro, Faina ...











Anikibébé. Anikibóbó. Passarinho. Tótó.
Berimbau. Cavaquinho. Salomão. Sacristão.
Tu és polícia. Tu és ladrão.










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"Gosto do Aniki-Bóbó, que não é um filme para se ver de uma só vez. É preciso ter uma grande maturidade...Ele foi precoce no cinema mundial com esse filme...". 

Agustina Bessa-Luís, in jornal Público, 98-12-11

Aniki-Bóbó é um dos filmes mais perfeitos de Manoel de Oliveira. Um dos mais inquietantes porque é orgulhoso da sua candura. Compreende-se que pela vida fora, uma longa vida de cineasta o espera, haverá sempre aquele juramento, aquele velar de armas que é a criança constante e séria na sua descoberta do mundo, do amor, do desencanto e na reinvenção da sede que é a vida". 
Agustina Bessa Luís, O Arcanjo Gabriel, 
Catálogo do Festival de Turim · 2000

20.11.08

Guerra & Paz



















                             Porto | Lisboa

António Eça de Queirós | António Costa Santos

13.11.08

101









Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos de século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.

José de Almada Negreiros

Quem não lê, não quer saber, quem não quer saber, quer errar.

Padre antónio Vieira
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