Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.
Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.
Alguns pensam
que são as mãos de deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.
Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.
in Até Amanhã
de Eugénio de Andrade
30.10.08
29.10.08
26.10.08
Deolinda

"O seu nome é Deolinda e tem idade suficiente para saber que a vida não é tão fácil como parece, solteira de amores, casada com desamores, natural de Lisboa, habita um rés-do-chão algures nos subúrbios da capital. Compõe as suas canções a olhar por entre as cortinas da janela, inspirada pelos discos de grafonola da avó e pela vida bizarra dos vizinhos. Vive com 2 gatos e um peixinho vermelho..."
Deolinda é um original projecto de música popular portuguesa (MPP), inspirado pelo fado e as suas origens tradicionais. Formado em 2006 por 4 jovens músicos com experiências musicais diversas (jazz, música clássica, música étnica e tradicional), procuram, através do cruzamento das diferentes linguagens e pesquisa musical, recriar uma sonoridade de cariz popular que sirva de base às composições originais do grupo.
Adão Almeida | Lazarim
A vila de Lazarim, no Concelho de Lamego, festeja o Carnaval, de dois a cinco de Fevereiro, com os trajes e máscaras tradicionais.
Considerado um dos festejos carnavalescos mais típicos do país, na vila de Lazarim, no Concelho de Lamego, os caretos saem à rua, mostrando uma manifestação de encenações ancestrais da cultura portuguesa.
O trabalho dos artesãos e das gentes locais, fiéis a um passado comum exigente, elabora de forma artesanal as máscaras e os trajes dos Caretos de Lazarim, são ainda preparados em segredo os testamentos, famosos pelo seu grau de malícia satírica, para serem lidos na Terça-Feira Gorda.
Neste dia, as comadres e os compadres envergam as suas máscaras esculpidas em madeira de amieiro e trajes típicos, ocultando a sua identidade e procedendo ao ancestral jogo de rivalidade entre sexos.
O Entrudo de Lazarim, termina com a leitura dos testamentos, seguindo-se a morte do compadre e da comadre no fogo e a oferta de uma feijoada e caldo de galinha a todos os presentes.
25.10.08
17.10.08
Manel Cruz
“Foge Foge Bandido é um projecto de longa data, que foi ficando com o tempo de sobra. São músicas que eu fiz, algumas têm 10 anos e que fui gravando e agora estou a acabar o trabalho. Fui convidando, aparecia gente em minha casa, aquilo no início não era um projecto, eram músicas, aparecia um gajo em minha casa que até podia nem ser músico e íamos curtir para o teclado, gravávamos umas coisas. Ou tinha uma música e gravavam um teclado por cima. Muitas eram coisas que já tinha feito, outras eram brincadeiras que fazíamos numa noite e que eu depois desenvolvia, então acaba por ser um projecto experimental, apesar de serem canções na mesma, porque, pá, não consigo separar-me das canções. Canções com arranjos muito mais diferentes dumas músicas para as outras. Ali vale um bocado tudo, não é como nos Pluto que não vale, mas é um projecto experimental, digamos assim, mais caseiro.”
Júlia Côta | Barcelos
Filha da ceramista famosa Rosa Côta e neta de Domingos Côto (o pai do galo de Barcelos) , Júlia Côta entrou cedo na arte da argila, ajudando a mãe em seus trabalhos e aprendendo com ela as técnicas e as inspirações deste tipo da arte. Modelando a vida na argila, e dando rédea livre à imaginação para produzir figuras de animais, retratos e figuras religiosas, geralmente reinterpreta-as numa mistura do respeito e imaginário, ou em representação de cenas do trabalho e do jogo da vida rural. Estes são alguns dos exemplos da variedade da simplicidade dos objectos, dos temas e das cores do que nós chamamos normalmente as figuras de Barcelos.
Júlia Côta é uma de poucas artistas que cría, recria e pinta as FIGURAS, o que lhes dá um carácter do originalidade possuindo uma marca muito pessoal.
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