[ Coração Habitado ]

Aqui estão as mãos.
São os mais belos sinais da terra.
Os anjos nascem aqui:
frescos, matinais, quase de orvalho,
de coração alegre e povoado.

Ponho nelas a minha boca,
respiro o sangue, o seu rumor branco,
aqueço-as por dentro, abandonadas
nas minhas, as pequenas mãos do mundo.

Alguns pensam
que são as mãos de deus,
- eu sei que são as mãos de um homem,
trémulas barcaças onde a água,
a tristeza e as quatro estações
penetram, indiferentemente.

Não lhes toquem: são amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
São o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece.

in Até Amanhã
de Eugénio de Andrade


2.10.08

Carlos Paredes

Portugal...















"Tenho pena de não poder falar. Eu só toco guitarra, não é?"



Carlos Paredes [ Coimbra, 16 de Fevereiro de 1925 | Lisboa, 23 de Julho de 2004 ] Compositor e guitarrista português.
Foi um dos grandes Guitarristas e é um símbolo ímpar da cultura portuguesa. É um dos principais responsáveis pela divulgação e popularidade da guitarra Portuguesa e grande compositor.

Conhecido como O mestre da guitarra portuguesa ou O homem dos mil dedos.

Filho, neto e bisneto dos famosos guitarristas Artur, Gonçalo e José Paredes, começou a estudar guitarra portuguesa aos quatro anos com o seu pai, embora a mãe preferisse que o filho se dedicasse ao piano; frequenta o Liceu Passos Manuel, começando também a ter aulas de violino na Academia de Amadores de Música. Na sua última entrevista, recorda: "Em pequeno, a minha mãe, coitadita, arranjou-me duas professoras de Violino e piano. Eram senhoras muito cultas a quem devo a cultura musical que tenho".
Em 1934, muda-se para Lisboa com a família, e abandona o violino para se dedicar, sob a orientação do pai, completamente à guitarra. Carlos Paredes fala com saudades desses tempos: "Neste anos, creio que inventei muita coisa. Criei uma forma de tocar muito própria que é diferente da do meu pai, do meu avô,bisavô e tetratavô".
Carlos Paredes inicia em 1939 uma colaboração regular num programa de Artur Paredes na Emissora Nacional e termina os estudos secundários num colégio particular. Em 1943 faz exame de admissão ao Curso Industrial do Instituto Superior Técnico, que não chegou a concluir e inscreve-se nas aulas de canto da Juventude Musical Portuguesa, tornando-se em 1949 funcionário administrativo do Hospital de São José.

Em 1957 grava o seu primeiro disco, a que chamou simplesmente "Carlos Paredes".

"Quando eu morrer, morre a guitarra também.
O meu pai dizia que, quando morresse, queria que lhe partissem a guitarra e a enterrassem com ele.
Eu desejaria fazer o mesmo. Se eu tiver de morrer.”

Carlos Paredes

Desígnio Alentejano
















Biscoitos artesanais Alentejanos - Limão, Canela, Açúcar e Azeite.

Castelbel

Porto














Aromas com tradição...

Rita Morais | Alentejo


















«o que está além do Tejo»

1.10.08

Ana Ventura

















Ana nos papéis das maravilhas

Simple




30.9.08

Maria Madeira






Maria Luísa da Conceição Palmela | Estremoz

















Maria Luísa da Conceição - "pela dignificação dos bonecos de Estremoz”.

Maria Luísa da Conceição nasceu na cidade de Estremoz em 1934. Desde o seu nascimento que tomou contacto directo com o barro, já que seu pai era neto do fundador da Olaria Alfacinha (1868 -1995), Caetano Augusto da Conceição. Seu pai, mestre Mariano da Conceição, além de um exímio oleiro, foi quem fez renascer os bonecos de Estremoz, por intermédio de Sá Lemos, director da Escola de Artes e Ofícios de Estremoz, obtendo os conhecimentos para tal de uma velha bonequeira chamada Ana das Peles.
Depois da morte de seu pai (1959), foi sua tia Sabina Santos quem tomou nas mãos a continuidade da tradição bonequeira, e sua mãe, Liberdade da Conceição, um ano depois, decide também ela começar a modelar. Foi aos 6 anos de idade que Maria Luísa ajudou pela primeira vez sua mãe a pintar, quando esta preparava um conjunto de bonecos para irem para a Exposição do Mundo Português, em 1940.
Mais tarde, já nos anos 80, após sua tia Sabina se reformar, Maria Luísa da Conceição ocupa a antiga oficina desta na Rua Brito Capelo, deixando de fazer os bonecos na sua cozinha, como até aí tinha feito. Começa, então, de forma mais sistemática, a reproduzir os bonecos que tinha visto gerações da sua família fazerem.

A qualidade do seu trabalho foi reconhecido em Vila do Conde, no ano de 1991, com o 1º Prémio para melhor peça de artesanato, e em Janeiro de 2007 o 1º prémio para melhor peça na Exposição de Presépios, promovida pelo Museu de Viana do Castelo.

Deste 2007 possui a Carta de Reconhecimento de Artesãos do Concelho de Estremoz.
Em Agosto de 2008 recebeu a Medalha Prata de Mérito Municipal, da parte da Câmara Municipal de Estremoz.